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domingo, 24 de junho de 2012

Firework I



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Parte 1 de 2

 Era meu último ano do colegial, setembro, uma primavera de 1978 e o primeiro dia de aula. A turma era a mesma, tinha algumas pessoas novas, mas nada que me agradasse, tudo que já conhecia. Eu ria, vivia e me alegrava com aquelas pessoas que não me eram as melhores, ou as  piores, eram apenas aqueles que eu possuía para viver. Formávamos um grupo de seis amigos, uma mistura de garotos e garotas que andavam sempre juntos e, porém, separados vivia, mas não curtiam e riam como, quando, andavam unidos.



No segundo dia de aula cheguei tarde e apressadamente fui sentar-me em meu lugar, uma cadeira vazia, a penúltima da fila, mas não tinha percebido quem era aquele que estava sentado atrás de mim. Pelo perfume e pela sua compostura física, não me parecia com nenhum dos meninos da sala e eu na minha eterna curiosidade me virei, olhei aquela criatura e bestializei-me, voltando rapidamente ao meu foco  dianteiro: o quadro.

Uma vergonha tinha tomado conta do meu eu, que era confundido com atração e desejo, além de ver  toda aquela angústia gritar em meus ouvidos e cutucar meu coração como se flechas, com pontas envenenadas, alcançasse meus átrios e me fizesse, a cada segundo, ficar anestesiado  por um corpo em vida.

Ele ficava ali, sem manifestar-se, e eu, tentava chamar, ao máximo, a sua atenção para mostrar minha perspicácia e ousadia, como se fosse essa a forma de lhe encantar e de lhe mostrar o meu melhor.Todas as aulas daquela manhã passou como se fosse apenas um minuto e fomos todos para nossos lares, não vendo eu hora voltar e poder mostrar todos os meus dotes intelectuais como forma de impressiona-lo.

No dia seguinte, vesti minha melhor calça, passei  meu melhor perfume e o meu hálito, era o mais puro e refrescante. Queria que minha chegada fosse triunfal, mas fiquei anestesiado quando o vi com todas a meninas em sua volta. Pensei, com todas minhas forças, que aquele era o fim e naquele momento resolvi não me manifestar e abster dos comentários em sala de aula,naquele dia. Ele fez com que as coisas perseguissem: pegou o seu caderno, do outro lado da sala, e o trouxe para uma cadeira vazia ao meu lado, e disse:
- Irei sentar ao lado do menino mais inteligente dessa sala.


Eu ri e disse:


- Não quero ser o mais inteligente da sala, considero-me o mais comunicativo e com maiores habilidades para expressar oralmente. 


E, aproveitando a minha deixa ela perguntou:

-Oralmente?

Uma dupla interrogação veio em minha mente, seria uma brincadeira que os homens fazem uns com os outros ou ele teria as intenções maiores? Sem saber o que responder, afinal ele, para mim, não era apenas um amigo; resolvi sorrir e entender que era uma grande piada. Naquele momento toda a promessa que eu tinha feito, naquela mesma manhã, tinha caído por terra e eu comentava como se fosse a melhor coisa que sabia fazer, afinal, eu queria impressionar um alguém.

Aquela manhã foi decisiva, o silencio do primeiro dia foi quebrado e eu já tinha feito as ligações de prosa.
Em diante, os nossos contatos estariam mantidos e fiz questão de que eu fosse a sua primeira amizade em seu novo colégio. O meu romance foi arquitetado em jogo de guerra e a primeira parte estava parcialmente vencida. Na sexta-feira perguntei se ele tinha algum compromisso para o final de semana e a resposta ele me deu com outra pergunta:

-E você, quer sair comigo?

Eu parei e pensei sobre a ideologia daquela pergunta,mas ao fim resolvi abstrair, aceitar e  chama-lo para ir ao cinema. Ele, com toda a sua destreza respondeu que estava esperando apenas o convite.

A sua atitude me fez refletir a tarde inteira, mas eu ficava tão tristonho que era uma sexta e que só o veria no domingo. Resolvi então pegar o telefone ligar para ele e chamar para passar a tarde em minha casa. Infelizmente, o telefone tocou e não foi atendido,fiquei com as esperanças de uma sexta-feira de primavera perfeita. A noite, na hora do jantar, o telefone tocou, eu estava na cozinha pegando os pratos do armário e colocando-os na mesa, como minha mãe tinha pedido. O meu pai atendeu e disse que tinha um amigo meu na portaria, perguntei o nome e ele respondeu que era o Rafael. Disse que ele podia entrar, tentando parecer o mais sensato possível, mas, na verdade, eu, por dentro, comovia-me de emoção e curiosidade para saber o motivo daquela visita.

Continua...

16 comentários:

  1. Porque será que nos atemos a tantos detalhes quando estamos apaixonados? Porque seguimos tantos rituais, como a escolha da roupa perfeita, do perfume marcante, do hálito refrescante... coisas que nem sequer prestamos atenção e agimos mecanicamente quando não estamos ligados a ninguém... e eu acho isso fantástico!

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    1. Somos todos selvagens e pensamos que fazemos a superioridade evoluída. Somos animais e agimos com extintos: a felina escolhe o melhor leão, aquele melhor caçador, para formar par e procriar e ele exibi-se com a melhor caça para atrair a melhor leoa para formar par...Nós não somos assim?Tirando essa selvageria e pondo a existência na modernidade, agimos de forma bem semelhante.

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  2. por que normalmente cada detalhe importa

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  3. Acho que sãos coisas de nossa cabeça...Não tem tanta importância...kkkk

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  4. os mínimos detalhes fazer a diferença nunca viu o filme "amelie poulain"

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  5. a vida é feita de pequenos detalhes

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    1. Será que realmente gostou...?Espero que realmente tenha gostado....É, essa vida é cheia de detalhes, que geram vidas, que matam, que ensinam, que evoluem...Enfim, são tantos detalhes....

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  6. os pequenos detalhes que fazem a diferença na nossa vida!

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    1. Realmente fazem mesmo, mas porque damos importância em analisar as vitórias, as derrotas e as vivencias...Se vivêssemos e pronto, nada disso importaria, mas temos que estudar para sentirmo-nos mais completos.

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  7. Foi tão real, mas esse é um relato? A foto tá super hot hein.

    http://CerejaTop.blogspot.com

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  8. Conto lindo e "detalhista" ehehehe... Na expectativa da sequência...

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    1. Espero que realmente tenha gostado e lhe avisarei quando eu tiver tempo para escrever a última parte.

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  9. Nossa, muito envolvente! A gente não consegue parar de ler e imaginar os possíveis "desenrolar dos fatos". Curiosa e torcendo pra um final feliz!
    Muito bom tua maneira de escrever, a leitura fui... Parabéns!

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    1. muito boa* tua maneira de escrever

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    2. Eu sou seu fã...Sua escrita é a melhor, mas mesmo assim estou muito alegre com o seu comentário e pelas suas parabenizações...Esperaremos para ver o final deles,um final que nem eu sei como irá ser.

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